sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro.
(...)

Hilda Hilst

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Contos de fadas

  Acho que de alguma forma cheguei a certo limite da ceticidade. Já há algum tempo que não tenho acreditado em um amor devidamente correspondido, e pra piorar a situação, vejo que a maioria das pessoas que conheço estão numa espera eterna de um príncipe encantado montado num cavalo branco.
  Com os anos, parece que vamos adquirindo certas resistências em relação a determinados tipos de pessoas, e assim com pré-conceitos e pós-conceitos, vamos limitando cada vez mais a abrangência de alguém que possa nos interessar.
  Vejo é que a maioria das pessoas mais velhas são de certa forma desmotivadas  em relação aos outros. Será que o tempo leva embora todo aquele desejo de se apaixonar ou as pessoas realmente não são feitas para viver amores plenos e duradouros?
  Será que com o passar dos dias os amores se vão, as pessoas se vão, nossa vida se vai? Tenho 24 anos e de alguma forma sinto que ainda é cedo pra pensar dessa forma, tenho estado triste por não conseguir acreditar de fato na paixão. Queria sim ainda acreditar no Papai Noel, em contos de fadas. A ignorância as vezes me parece um caminho tão fácil e feliz, parece que quanto mais conheço e vivencio as coisas, mais infelicidade eu adquiro. Será a realidade tão dura a ponto de nos desmotivar a respeito da vida?
  Talvez fechar os olhos para o que a vida de fato representa possa trazer mais felicidade do que se questionar a respeito dos atos, das pessoas, dos sentimentos. Hoje ando me questionando pra que serve essa maturidade toda que as pessoas procuram alcançar, entender a vida as vezes parece um caminho muito infeliz e frustrante.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Belo Horizonte

 Estive em BH na semana passada. Acho que nunca me senti tão mineiro em minha vida. Cada coisa que experimentava, que sentia, me causava um prazer que não sabia explicar.
 Estar com meus pais, em minha terra foi uma sensação de conforto que não sentia há bastante tempo. Parecia que estava seguro, que ali muitas coisas não poderiam me atingir. Sem falar em cada coisa que comi, que senti e que experimentei. Foram o céu.
 É engraçado como São Paulo as vezes tira essa sensação de tranquilidade que outras cidades nos proporcionam né? Parece que aqui as pessoas vivem muito às pressas, sem pensar em suas vidas, sem viver de fato.
 Por algum motivo me senti dessa forma em Minas, me senti tranquilo, protegido e agora estou com saudades. A vida as vezes dá voltas inimagináveis, e essa foi uma das que me aconteceu recentemente. No mínimo, uma situação para se refletir...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vida, essa fina poeira em um vaso furado.


   A vida, esse grande estupro. Essa grande bola de neve que não pára, gira, cresce, cresce. Esse grande buraco no peito que muda de tamanho dia após dia. Essa grande esfera cíclica e cósmica que muitas vezes nos consome a ferro e fogo, e às vezes a água. Algo que nos devora por dentro. Algo que consome, e depois finda.
  Viver é mais do que loucura. É prazer e dor intercalados, simultâneos. Viver é participar daquilo que existe apenas por um tempo.  É deixar de existir a cada segundo, a cada momento. É viver em perfeita ordem com aquilo que é total desordem. Estamos constantemente deixando de existir, deixando de participar. Viver é isso: esse caos infinito de felicidade e sofrimento.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arte visual

Divagando

Penso em todos textos, frases, e livros que não foram publicados, e nem lidos. Penso também em todos papeis, manuscritos, e papiros que foram rasgados, amassados, picotados, incinerados, e destruídos. Penso em todas as pobres ideias que não foram valorizadas. Penso naquilo que não foi dito e que por pouco poderia fazer parte de uma história em bibliotecas. Penso em todas essas ideias perdidas no tempo. Frases abandonadas, rabiscadas e até recortadas. Essa manifestação, essa cultura, e essa mágica da qual é feita com palavras. Penso naqueles que um dia não quiseram escrever, e hoje sofrem sem ter o que falar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Respeito acima de tudo

  Já há algum tempo tem sido bastante frequente a discussão sobre a condenação à morte de uma iraniana (Sakineh Mohammadi Ashtiani) por crime de adultério.
  Sua pena: apedrejamento. Ela seria enterrada até a altura dos braços, e sua cabeça e ombros ficariam expostos para que as pessoas pudessem realizar o "massacre" atirando-lhe pedras. Algo que mais me parece cena bíblica praticada em tempos bastante remotos, do que um fato da atualidade.
  Não me sinto no direito de julgar crenças alheias ou condenações de outros países, mas acho que questões como essas sejam passíveis de intervenção internacional em nome dos direitos humanos e da dignidade..
  As pessoas precisam ficar mais atentas com algumas práticas ainda difundidas em várias nações do globo. Principalmente quando são fundadas em costumes que agridam não só a dignidade da pessoa condenada, mas também toda a humanidade.
  Não sou contra este tipo de prática, mas acho que a forma com a qual ela é executada precisa ser revista. Tirar a vida de alguém é um ato que exige extrema seriedade e bastante respeito, se é que existe algum.  Não é cabível fatos como esses acontecerem sob a visão dos povos e passar como algo sem importância ou sem nenhuma intervenção. Mais consciência e atenção por parte de todos é essencial.