quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Excentricidade

Existe algo mais desconcertante do que a falta de intimidade, conhecer sogra, gente tagarela, clima de elevador, mendigo bêbado e falta de assunto? Pra mim não. Sempre fui uma pessoa um pouco tímida. Desenvolver longas conversas nunca foi o meu forte e nem acho que será. A não ser que eu tenha que escrever. Já fiz que não vi inúmeras pessoas simplesmente para evitar a conversa típica de elevador e aquele falso interesse pelo bem estar do outro.
Ando pensando ultimamente e tenho chegado a conclusão que loucura se desenvolve com o tempo. Ninguém nasce louco. Eu mesmo, nasci super sadio, hoje só não me considero completamente "biruta" porque ainda não rasgo dinheiro, muito pelo contrário, trato com muito carinho.
Nada me desagrada mais do que a falta de assunto em certos momentos, algo como reuniões, encontros, e roda de amigos. Sabe aquela hora que o lugar fica em silêncio e todos esperam que algum assunto apareça de algum lado ou de algumas das partes? É como se todo universo conspirasse e exigisse de alguém e principalmente de você algum assunto imediato. Nessas horas de extrema pressão o que mais me acontece é o famoso branco total. Fico nervoso, minhas mãos suam e não sai uma palavrinha sequer. Meu desespero e minha ansiedade crescem em escala geométrica em questão de segundos. Sem falar no nervosismo e na angústia de saber que as outras pessoas também esperam ansiosamente que alguém fale algo pra quebrar o gelo e o clima de pressão.
É exatamente nessa hora que alguém faz um comentário besta sobre o tempo antes que a situação passe de constrangedora para caótica. E a outra pessoa, como quem bem entende a pressão responde prontamente. Nisso vai mais alguns minutos de fôlego para se pensar em algum assunto realmente interessante ou uma boa desculpa para deixar o local, banheiro é a melhor opção na maioria das vezes.
Pior que isso, só taxista tagarela em dias tensos. Geralmente entro no táxi e nem olho pra frente para não dar brecha. Contato visual é garantia para puxar assunto. Ler alguma coisa ou falar no telefone são técnicas altamente desenvolvidas que aprimorei com o tempo para evitar esse tipo de situação. Na maioria das vezes nem no telefone de fato eu estou, apenas entro falando e me faço de ocupado. Geralmente funciona! Pena técnicas como essas não funcionar muito para sogra, tia e familiares de grau elevado, sempre acabo ouvindo longas e longas histórias, contos e papos furados.
Hoje tento exercitar um pouco mais a minha paciência, mas assumo que é uma tarefa árdua e difícil diante de tanta gente chata que tem por aí. Enquanto isso, muito assunto no telefone e muito aluguel de orelha, e as vezes fingir de morto, cego, ou retardado, é o que me resta. Nada mais a declarar.

3 comentários:

Marcio Tim disse...

Muito bom.>Sabe que sou assim também, às vezes...

Ciro disse...

Haha, adorei. Sou bem assim tbm, sabe? Puxar assunto não é meu forte, mas têm situações que é necessário. E geralmente nós, os mais calados, somos sempre o alvo dessas pessoas que insistem em querer contar suas experiências de vida...

S disse...

É a típica situação de trabalho, quando você tem a infelicidade de ir embora no exato momento que outra pessoa está indo também, então rola aquele "você vai por ali ou por ali?" Se você for ingenuo vai dizer que vai pelo mesmo lado da pessoa, aí é TERRÍVEL, aquela caminhada lado a lado, em silêncio, ARGHHH!

Por isso sempre vou na direção contrária, mesmo que isso signifique que eu perdei 15 minutos me distanciando do outro para depois pegar o rumo certo, rs.