terça-feira, 16 de novembro de 2010

Belo Horizonte

 Estive em BH na semana passada. Acho que nunca me senti tão mineiro em minha vida. Cada coisa que experimentava, que sentia, me causava um prazer que não sabia explicar.
 Estar com meus pais, em minha terra foi uma sensação de conforto que não sentia há bastante tempo. Parecia que estava seguro, que ali muitas coisas não poderiam me atingir. Sem falar em cada coisa que comi, que senti e que experimentei. Foram o céu.
 É engraçado como São Paulo as vezes tira essa sensação de tranquilidade que outras cidades nos proporcionam né? Parece que aqui as pessoas vivem muito às pressas, sem pensar em suas vidas, sem viver de fato.
 Por algum motivo me senti dessa forma em Minas, me senti tranquilo, protegido e agora estou com saudades. A vida as vezes dá voltas inimagináveis, e essa foi uma das que me aconteceu recentemente. No mínimo, uma situação para se refletir...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vida, essa fina poeira em um vaso furado.


   A vida, esse grande estupro. Essa grande bola de neve que não pára, gira, cresce, cresce. Esse grande buraco no peito que muda de tamanho dia após dia. Essa grande esfera cíclica e cósmica que muitas vezes nos consome a ferro e fogo, e às vezes a água. Algo que nos devora por dentro. Algo que consome, e depois finda.
  Viver é mais do que loucura. É prazer e dor intercalados, simultâneos. Viver é participar daquilo que existe apenas por um tempo.  É deixar de existir a cada segundo, a cada momento. É viver em perfeita ordem com aquilo que é total desordem. Estamos constantemente deixando de existir, deixando de participar. Viver é isso: esse caos infinito de felicidade e sofrimento.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arte visual

Divagando

Penso em todos textos, frases, e livros que não foram publicados, e nem lidos. Penso também em todos papeis, manuscritos, e papiros que foram rasgados, amassados, picotados, incinerados, e destruídos. Penso em todas as pobres ideias que não foram valorizadas. Penso naquilo que não foi dito e que por pouco poderia fazer parte de uma história em bibliotecas. Penso em todas essas ideias perdidas no tempo. Frases abandonadas, rabiscadas e até recortadas. Essa manifestação, essa cultura, e essa mágica da qual é feita com palavras. Penso naqueles que um dia não quiseram escrever, e hoje sofrem sem ter o que falar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Respeito acima de tudo

  Já há algum tempo tem sido bastante frequente a discussão sobre a condenação à morte de uma iraniana (Sakineh Mohammadi Ashtiani) por crime de adultério.
  Sua pena: apedrejamento. Ela seria enterrada até a altura dos braços, e sua cabeça e ombros ficariam expostos para que as pessoas pudessem realizar o "massacre" atirando-lhe pedras. Algo que mais me parece cena bíblica praticada em tempos bastante remotos, do que um fato da atualidade.
  Não me sinto no direito de julgar crenças alheias ou condenações de outros países, mas acho que questões como essas sejam passíveis de intervenção internacional em nome dos direitos humanos e da dignidade..
  As pessoas precisam ficar mais atentas com algumas práticas ainda difundidas em várias nações do globo. Principalmente quando são fundadas em costumes que agridam não só a dignidade da pessoa condenada, mas também toda a humanidade.
  Não sou contra este tipo de prática, mas acho que a forma com a qual ela é executada precisa ser revista. Tirar a vida de alguém é um ato que exige extrema seriedade e bastante respeito, se é que existe algum.  Não é cabível fatos como esses acontecerem sob a visão dos povos e passar como algo sem importância ou sem nenhuma intervenção. Mais consciência e atenção por parte de todos é essencial.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cidadão de lugar nenhum, habitante do meu ser.

   Tem horas que me sinto perdido em um grande deserto. Não existem caminhos. Não existem rumos. Um nada sem fim, um mundo sem fim.  É como se minha própria mente me encurralasse em um lugar sem saídas. É como se meu corpo e minha vida exigissem de mim um melhor entendimento de quem sou, do que quero.
   Por enquanto ainda não consigo formular toda essa necessidade de me entender. Quanto mais me afundo nessas areias, nesse deserto, mais quero permanecer ali. Em mim.
   Sinto como se além desta realidade não houvesse mais nada que me interessasse, pelo menos por ora, até encontrar um caminho.
   Não tenho vontade de falar com ninguém, de ver ninguém. Nestes instantes quero estar quieto e apenas ouvir aquilo que vem de mim: esse nada profundo e atemorizante que tento me esconder muitas vezes. Me deito. O vento inquieto leva os pequenos grãos de areia. Começo a me enterrar. Me afundo, mais e mais. Quero ficar ali. Sozinho, calmo, confortável, silencioso...
   A vida muitas vezes me parece uma coisa tão sem significado. Cheia pessoas iludidas em suas pequenas realidades. Presas por uma situação meramente superficial. Preocupadas com coisas banais e metas irreais. É como se não olhassem para aquilo que realmente importa: suas essências. Aquilo que realmente devem sentir. O talvez verdadeiro valor da vida.
   Não sei se seguir o fluxo é simplesmente dar sentido à isso tudo que nos cerca. Não sei o que pensar. Tudo se embaralha em meio a uma tempestade de pensamentos sem rumo.
   Sinto meu coração como um grande tambor. Minha circulação, uma grande euforia. Uma contínua dança. Me perco em mim mesmo quase sempre. Afundo. Não habito lugar nenhum, não permaneço. Estou em mim e longe de tudo. Não estou em lugar algum.