quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Respeito acima de tudo

  Já há algum tempo tem sido bastante frequente a discussão sobre a condenação à morte de uma iraniana (Sakineh Mohammadi Ashtiani) por crime de adultério.
  Sua pena: apedrejamento. Ela seria enterrada até a altura dos braços, e sua cabeça e ombros ficariam expostos para que as pessoas pudessem realizar o "massacre" atirando-lhe pedras. Algo que mais me parece cena bíblica praticada em tempos bastante remotos, do que um fato da atualidade.
  Não me sinto no direito de julgar crenças alheias ou condenações de outros países, mas acho que questões como essas sejam passíveis de intervenção internacional em nome dos direitos humanos e da dignidade..
  As pessoas precisam ficar mais atentas com algumas práticas ainda difundidas em várias nações do globo. Principalmente quando são fundadas em costumes que agridam não só a dignidade da pessoa condenada, mas também toda a humanidade.
  Não sou contra este tipo de prática, mas acho que a forma com a qual ela é executada precisa ser revista. Tirar a vida de alguém é um ato que exige extrema seriedade e bastante respeito, se é que existe algum.  Não é cabível fatos como esses acontecerem sob a visão dos povos e passar como algo sem importância ou sem nenhuma intervenção. Mais consciência e atenção por parte de todos é essencial.

Um comentário:

S disse...

Acredito que o choque cultural do oriente com o ocidente uma das questões mais delicadas da humanidade.

Por mais que um se esforce para compreender o que se passa na cabeça daquele povo, nunca conseguiremos, é um esforçoeterno mas no fim das contas não produz um pensamento justo.

Realmente é outra cultura. Eu sei que são sapos e bugalhos, mas se você pegar a cultura jamaicana do reggaeton também, você encontra crianças de 5 a 10 anos dançando se esfregando umas nas outras, quando imagens de festas de reggaeton com crianças foram divulgadas na CNN os mais medíocres começaram a condenar aquele povo por pedofilia por incentivar essa dança, mas espere aí? O corpo deles fala de forma diferente do nosso, não podemos julgar uma outra cultura sendo que o que se passa na nossa mente é totalmente diferente.

O caso da Sakineh é muito delicado, pois o que parece loucura para nós é normal na cultura deles. A própria Sakineh sabia o que lhe esperava se ometesse adultério, mas mesmo assim o cometeu.

Uma coisa é achar um absurdo uma mulher americana sofrer essa pena, outra coisa é achar um absurdo que Sakineh, que conhece sua cultura, sabe como as mulheres são tratadas em caso de adultério, cometa o crime.

Longe de mim justificar o apedrejamento, eu acredito que deveria ser mudado sim pelo ponto de vista da dor, do sofrimento do ser humano, e realmente não gostaria que ela fosse apedrejada, mas realmente não sei como essa história deveria ser mudada...

Imagine um país que não existisse justiça, ao ler uma notícia "Brasileiro mata 5 mulheres e é condenado à prisão perpétua". Você não acha que esse país imaginário acharia um absurdo a pena do criminoso? E nós aqui acharíamos ainda mais absurdo que eles achassem a pena um absurdo?

Então, provavelmente é a relação Irã/Iraque resto do mundo.

É difícil concluir algo, por mais que eu faça o maior texto do universo, nunca conseguiria escrever algo certo, até porque o certo nessa situação é uma questão de que lado do oceano você está.

E sim, tenho pena da Sakineh e não acho que ela deveria morrer apedrejada.