quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Contos de fadas

  Acho que de alguma forma cheguei a certo limite da ceticidade. Já há algum tempo que não tenho acreditado em um amor devidamente correspondido, e pra piorar a situação, vejo que a maioria das pessoas que conheço estão numa espera eterna de um príncipe encantado montado num cavalo branco.
  Com os anos, parece que vamos adquirindo certas resistências em relação a determinados tipos de pessoas, e assim com pré-conceitos e pós-conceitos, vamos limitando cada vez mais a abrangência de alguém que possa nos interessar.
  Vejo é que a maioria das pessoas mais velhas são de certa forma desmotivadas  em relação aos outros. Será que o tempo leva embora todo aquele desejo de se apaixonar ou as pessoas realmente não são feitas para viver amores plenos e duradouros?
  Será que com o passar dos dias os amores se vão, as pessoas se vão, nossa vida se vai? Tenho 24 anos e de alguma forma sinto que ainda é cedo pra pensar dessa forma, tenho estado triste por não conseguir acreditar de fato na paixão. Queria sim ainda acreditar no Papai Noel, em contos de fadas. A ignorância as vezes me parece um caminho tão fácil e feliz, parece que quanto mais conheço e vivencio as coisas, mais infelicidade eu adquiro. Será a realidade tão dura a ponto de nos desmotivar a respeito da vida?
  Talvez fechar os olhos para o que a vida de fato representa possa trazer mais felicidade do que se questionar a respeito dos atos, das pessoas, dos sentimentos. Hoje ando me questionando pra que serve essa maturidade toda que as pessoas procuram alcançar, entender a vida as vezes parece um caminho muito infeliz e frustrante.

6 comentários:

Anônimo disse...

Muitas vezes precisamos fechar os olhos para conseguirmos enxergar além.

Nilson Munhoz disse...

Se nunca acreditar no amor, nunca será amado, se nõ acreditar na paixão nunca se apaixonará, se abdicar da vida não será contemplado com momentos felizes que ela proporciona. Ainda vale mais a pena acreditar no princepe com seu cavalo branco a ter de não abrir os olhos por não acreditar e passar pela vida sem saber que poderia ter sido diferente, verdadeiro e duradouro...

Rafa Bunhi disse...

A verdade é que as pessoas não querem mais nada sério hoje e os sentimentos concretos estão sendo substituídos por coisas passageiras...

Anônimo disse...

Há um espectro de desamor, há também uma poeira de recado nesse texto. Para quem?
Seu sobrenome te cai tão bem, pois quando leio essa falta de entusiasmo batido com doses sultis de dúvidas num liquidificador de desiluzão, não vejo um garoto de vinte e quatro anos me falando coisas. Vejo uma alma parte adulta, parte criança e parte velha até.
É por isso que você encanta, é por essa forma contestadora com essa postura fleumática que você me acalma também, e todas as vezes que penso em você antes de dormir, como agora, minha cabeça têm o tamanho certo: o tamanho do futuro. Não o futuro de um velho "desmotivado em relação aos outros", mas um futuro de conhecimento, vivências, calmaria. Por que o amor, se é amor, é calmo, é lento e não só duradouro, mas eterno também.

Beijos,
Mr. Darcy

Anônimo disse...

Texto muito bonito
parabéns.

Anônimo disse...

que engraçado... escrevi um poema agora sobre isso.
Se quiser ler: http://olupa.tumblr.com/post/24373461229/as-rosas-sao-frageis